domingo, 4 de julho de 2010

POETA APOCALÌPTICA


Lêda Selma



O mundo, desarrumei:
desordenei horas,
desalinhei verdades
e desmontei tratados.

Marcas, apaguei todas:
desmanchei divisas,
depurei mentiras
e desmarquei saudades.

Enlouqueci o espaço:
estrelas, pus no chão.
No céu, terra e poeira.
E na lucidez dos mundos
remexidos, todos os sonhos
(agora, misturados).

E me fiz mais que louca:
poeta apocalítica.
Abri minhas cancelas
e encurralei a vida.

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