sexta-feira, 20 de agosto de 2010

CRÔNICA PUBLICADA NO DM, Sábado, dia 21

DE NOVO...?! AH! NEM...!!!
Lêda Selma

Ih! começou o Horário Eleitoral Gratuito, apelidado de Horário Hilarial Gratuito! E é cada candidato a deputado, Deus me tape os olhos e me tampe os ouvidos, socorro! E os nomes, codinominados hilariamente?
As promessas, as de sempre; os discursos, os de antanho; nenhuma alteração, nem no português, recentemente reformado. De novo, o velho, já desgastado demais por blablablás caducos.
A pobraiada ressuscitou uma vez mais. Seus fantasmas sempre ressurgem de quatro em quatro anos! Acho que pensam: “hum! é bem mais chique ou mais convincente todo candidato ser de origem pobre, humilde, trabalhador braçal, engraxate...”. E me pergunto: qual o inconveniente de o candidato ser de linhagem intelectual, rica ou mesmo remediada? Precisa ser pobre de origem? A pobreza, então, é um requisito indispensável? Ninguém mais aguenta essa enganação, essa ladainha, essas caras de pobres fabricados em estirpes humildes, francamente! E se, na verdade, são de origem pobre, já estão muito, muiiiiiiito distantes da tal.
Ah! e as coitadinhas das criancinhas? Está na hora de o Cristo repetir: “Venha a mim as criancinhas!”, para livrá-las dos famigerados lambuzões de bochechas! Redigo: elas já se tornaram alvo dos candidatos, isto é, de seu assédio, com a conivência dos pais, hipnotizados pelos meios minutos de “fama”. As inocentes perderam o sossego. De colo em colo, de braço em braço, de beijinho em beijinho, são mostradas, espremidas, na tela da TV, como fantoches desengonçados. Alheias ao que, de fato, lhes acontece, muitas vezes, choramingam ou careteiam protestos não entendidos pela insensibilidade de seus assediadores. E mais desentendida fico com a omissão daqueles que atuam sob a chancela de protegê-las. Protegem criminosos, com menos de dezoito anos, os tais “menores infratores”, porém, nem tchum às crianças expostas à enganação e à exploração de sua imagem em períodos eleitoreiros.
Não sou contra o Horário Eleitoral Gratuito, se esse valioso tempo fosse aproveitado dignamente, com propostas reais, com metas executáveis, sem as conhecidas negaças, sem a prática da embromação. Santo protetor dos eleitores, não é suportável ouvir as lenga-lengas que ocupam o lugar-comum de sempre. Nenhuma novidade, nada que fuja à senilidade das promessas falaciantes, à renovação de ideias, à viabilidade de bons projetos. E, novamente, ênfase à Santíssima Trindade, reverenciada em tempo de eleição: Educação, Saúde e Segurança Pública, mote para todos os discursos! Gingam na boca dos candidatos, assim, como um samba-enredo fátuo, à espera de aplauso. E nenhum caminho é apontado. Tudo se limita a palavras.
E as figuras hilárias? Cada estampa...! Santo protetor da estética visual, poupe minha visão, por misericórdia! Algumas delas espirram palavras com a rapidez de um busca-pé, palavras sem conteúdo, que não dizem nada. Outras, com o tempo exíguo que lhes é ofertado, insuficiente para, sequer, uma frase, apenas, pronunciam, às carreiras, seu nome, número e... pronto?! Há sentido nisso, por favor, respondam-me?!
Passa ano, chega milênio e tudo permanece inalterado, daí o desgosto daqueles que perdem tempo assistindo à meteórica aparição de vários candidatos. Tempo que deveria ser utilizado para a apresentação deles, para que o eleitor, no mínimo, conhecesse seus ideais e potencial políticos, seus feitos, suas metas. Bendita TV a cabo!
No entanto, ainda sobrevive a expectativa quanto aos debates entre candidatos a postos executivos, tanto no âmbito estadual quanto no federal. Como a esperança, mesmo agonizante, insiste em não morrer, não custa o eleitor esperançar-se. Assim, esperemos o que virá como novo.
Safadino, aquele mendigo esperto, intelectualizado, politizado e safado por natureza e vivência, observador tenaz e amigo de certos figurões políticos, está de olho nos candidatos, e já me avisou que dará seus palpites logo, logo, afinal, é PhD no assunto. Se até enricou por obra e safadeza de uma cadeira de rodas...

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