sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

POEMAS DE LÊDA SELMA

FÚRIA POÉTICA



O poema arregalou a boca
e mostrou-me terríveis mandíbulas,
enquanto seus dentes rilhantes
trituravam-me as palavras.

E os estilhaços dos versos
fugiram desarvorados,
em rastejos se lançaram,
e sumiram dor adentro.



DESAPONTAMENTO



Esbarrei nas palavras doidivanas
que vagavam, às cegas,
pelos labirintos do poema torto,
cavando riachos e túneis
em metáforas insaciadas.

Indultei as palavras
que saciaram loucuras
em tonéis de vinholetas
e nas barrentas águas,
que dançavam sobre a noite,
banharam-se entorpecidas.

Amansei as palavras doidinsanas
com a solidão da flauta
escondida displicente
nas artimanhas do vento.
E elas, ofegantes,
ocuparam o escuro
que guardei tanto e fundo
para minhas emergências.



RISCO



Fechei-me em teias
e nos fios de minhas sinas
estrangulei-me.

Mas sobrevivi ao rufar de asas.

Fecundei silêncios
e desatei a solidão
que me repartiu em nadas.

E sobrevivi ao cadáver de tantas dores.



NÃO TE DAREI POEMAS



Não te darei poemas presos em ataúdes
nem concebidos à luz de morte-cor.
Quero-os livres, mesmo doloridos,
quero-os vivos, ainda que insanos.

Não te darei poemas amortalhados
nem serei camélia em noites torturadas.
Quero fincar-te o poema na carne,
quero o ferrão do verso a devastar-te.

Quero poemas de desejos fartos
para te dar em noites libertinas.
Quero suores, rubores, amoras,
e em teu corpo, odores de meus rastros.

3 comentários:

  1. Em 2007 quando ainda gerênciava uma rede lojas ganhei um livro de uma mulher muito simpatica e Educada ela estava acompanhanda de sua filha, nem sei se essa pessoa e você pois não me recordo do rosto dela, porém sei que o livro chama HUM...SEI NÃO, que por sinal e muito legal...
    Nesse livro dela não fala sobre seu sobrenome, mas esse blog seu aqui fala, eu pertenço a essa familia que tenho orgulho de ter o sobrenome ALENCAR..

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    1. Oi, Edilson! Você não acredita: o sobrenome Alencar não é de família. O avô de meu marido, fã do José de Alencar, quis dar esse nome ao neto, minha sogra aceitou desde que fosse acrescentado Geraldo. Quando me casei, adotei o Alencar, por causa do marido. Meu sobrenome original é Carvalho (materno) Dantas (paterno). O Dantas é também nordestino (Pernambuco). Olhe,acho Alencar bonito, sonoro, poderoso.Parabéns por tê-lo! Obrigada por acessar meu blog. Abraço. Lêda

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  2. Leda, sabia que um dos seus poemas já me curou e salvou?

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