sexta-feira, 10 de setembro de 2010

CRÔNICA DE SÁBADO, DIA 11/9 - DM

CUIDADO COM O VOTO
QUE O CANDIDATO É DE BARRO


Lêda Selma


Um leitor brasileiro, de ascendência italiana, Bruno Andreatta Baldacci, residente em Turin, Itália, enviou-me este e-mail: “Cara escritora Lêda Selma, sei que aí no Brasil é tempo de eleição e de enganação. Será que a “dama de ferro” será mesmo presidenta? Cara escritora, há muito tempo, ainda aí em Goiânia, li umas crônicas de sua lavra sobre uns candidatos esdrúxulos como árvore, praça e morri de dar risada. Temos um grupo divertido aqui em Turin e todo sábado acessamos o Diário da Manhã para ler seus artigos que quase sempre são muito hilários. Você se chateará com o meu pedido para republicar essas crônicas, porque assim os outros da turma também poderão lê-las?Se puder me atender, fico grato. Se não puder, coloque as mesmas em seu blog e nós o acessaremos”(...).
É uma alegria atendê-lo, Bruno. Eis a primeira crônica da trilogia, diga-se, bem atual, sem nenhum vestígio de senilidade ou caduquice.
Já houve quem preferisse votar no poste. Pois é, o poste, sempre ereto, altivo e observador, embora silencioso e impassível. Uma preferência defendida sob consistente argumentação, levadas em conta a postura, tradição e potencialidade do candidato, cuja rigidez é algo concreto e notório. Tido como de utilidade pública, o poste é um trabalhador de luz cheia, solidário e solitário, cordato e servil. E, também, adepto da infidelidade posicionária: pouco se lhe dá ser de direita, de centro ou de esquerda e, menos ainda, alvo de fisiologismos ou de atos fisiológicos. Problema mesmo só com o álcool. Não que ele seja afeiçoado a umas doses, não, não, é o álcool dos motoristas que, não raro, o vitima com sérias contusões. Mas, aí, a lei do retorno se propõe logo a vingá-lo. E depois, como na política, fica sempre o dito pelo não dito...
Apesar de hipoteticamente habilitado a disputar uma vaga, tanto no executivo como no legislativo, ao que parece, ele, o poste, não colocou ainda seu nome à disposição de nenhum partido. Caso o faça, penso, será pelo PSOL – questão de analogia, ora! Luz é luz! –, e o sol não nasceu para todos?!
As possibilidades de candidaturas são fartas. Alguém, outro dia, pensou em lançar a árvore, pelo PV, claro!, o que, a boca larga, causou zunzunzuns e blablablás. Talvez, por causa da tal sombra e água fresca tão pretendidas por muitos... De minha parte, reputo-a, boa candidata. Essa coisa de casca grossa é relativa: todos temos as nossas. É, a árvore tem lá seu potencial e, além do mais, já detém imunidade ecológica e decoro ambiental. Hum... espere aí, decoro...?! Pensando melhor, nem toda árvore... Segundo informações bíblicas, por exemplo, a Macieira não goza de antecedentes recomendáveis. Não foi ela uma das envolvidas naquele escândalo sobre o pecado original, ao fornecer a propina com que a Serpente aliciou Eva para corromper Adão? Que quarteto, hem?! Um escândalo sem precedentes. Um detalhe importante: os culpados foram punidos com expulsão imediata e sumária, do Paraíso. Decisão do Todo-Poderoso, que não admite impunidade. E mais: sem as lengalengas ou as embromações das CPIs.
Ah! se a Polícia Federal estivesse por aquelas bandas, à época, os infratores seriam presos e indiciados por formação de quadrilha. E, por lá, seria diferente: a Justiça Divina não os soltaria!
Ih! fui cutucada por uma curiosidade: como se chamaria a inusitada operação? Pensei em Operação paradísica, ou Operação porno-maçã ou, então, Operação desmancha-prazer. Operação, cirurgia, tanto faz. Importante, em qualquer tempo ou circunstância, é enxotar a impunidade, mais robusta a cada dia aqui e acolá.
Que outra árvore se candidate, tudo bem! A Macieira não! Tem fama duvidosa e ficha suja. E não foi a primeira vez que a matusalênica senhora usou uma de suas filhas para fins suspeitos. Quem não se lembra daquela Bruxa trambiqueira que ofereceu maçã à inocente Branca de Neve? Baita tentativa de homicídio!
Depois dessas lembranças, acho mais prudente um outro possível candidato. E por que não o Muro? Por enquanto, só uma ideia...

Um comentário:

  1. Adorei o texto. Acho você muito atuante e presente, prá sorte de quem aprecia as boas coisas que você escreve.

    Tenha uma semana inspirada.

    Luiz chein

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