sábado, 1 de outubro de 2011

Diário da Manhã - Dia 2/10/11

CHORO POR TI, MEU VERDÃO!

Lêda Selma

É sabido e ressabido que sou esmeraldina legítima, que tenho o verde e branco entranhados na alma, no coração, na emoção, nos sentimentos e, sobretudo, na paixão. Digo legítima porque meu amor ao Goiás Esporte Clube transcende interesses, vaidades, oportunismos. Sempre fiquei à margem dessa avalanche de posturas que, passa ano, chega ano, sempre ronda o glorioso Verdão da Serra, marcado, no decorrer de décadas, pelo autoritarismo, pela megalomania, pelo monopólio de poder.

Nunca esperei retribuição, mesmo quando, por duas vezes, nos mandatos de João Gualberto e Syd de Oliveira Reis, dois esmeraldinos de estirpe, presidentes de destacada atuação, apesar das pechas que lhes foram injustamente impingidas, ocupei cargo na Diretora do Clube, sem qualquer remuneração (nem ajuda para combustível). Bastava-me a honra de servir meu Clube. E o fiz com alegria e despojamento, como convém a um autêntico esmeraldino.

É incontestável que, para as glórias alviverdes, muitos contribuíram, não apenas um ou outro; muitos, porém, vários desses vivem à sombra de mitos de barro que, se contrariados, os alijam do Clube, como algo descartável. Ao ato de assenhorear-se de um poder temerário, dou um nome: arbitrariedade.

Tempos de ouro, já viveu o Goiás. De respeito. De admiração. De credibilidade. De orgulho goiano. Goiás pioneiro em tudo. Referência sem igual: na organização, na compostura, na seriedade, na solidez estrutural. O Goiás, NOSSO bem precioso, patrimônio de uma família, sim, de uma família sem sobrenome, a FAMÍLIA ESMERALDINA, composta de sócios e torcedores, muitos deles, genuínos amantes das cores que construíram a História do Clube e consolidaram sua tradição no âmbito nacional, como expressão maior do futebol do Centro-Oeste e membro da elite futebolística brasileira.

Melchior Luiz Duarte colocou o Goiás no, à época, Campeonato Nacional. Raimundo Queiroz, na Libertadores da América e Syd Oliveira preparou-o para brilhar na Sul-Americana, em 2010. E só não integrou a comitiva que viu o time disputar a final, porque já não era mais presidente do Clube, por força de desígnio ‘superior’.

Choro por ti, meu Goiás, por saber-te presa de desmandos em nome do poder. Choro por ver-te aviltado por negligências e omissões. Choro pelo descaso que humilha tua História e enodoa tuas cores. Choro, meu Goiás, também de saudade daqueles tempos em que não existiam boleiros e sim, jogadores que vestiam e AMAVAM tua camisa; em que não existia poder absoluto e sim, companheiros voltados para o teu crescimento. Pois é, choro por ti, meu Goiás, ao me lembrar desse tempo de honradez, a cada dia, mais longe...

Hoje, meu Goiás amado, és motivo de chacota nos bares, nas praças, nos estádios, nas reuniões, nos sites, na mídia, a mesma mídia que cria deuses e protege demônios. Tudo o que conquistaste escorre nos ralos da banalização. Estás no cadafalso, e teu carrasco, cinicamente, assiste, de camarote, ao teu desespero, antes de foicear-te, qual mensageiro da morte. Suplicas por socorro, mas continuas à míngua. Enquanto isso, frases falseadas, jogos ridículos de palavras, justificativas risíveis (porquanto caricatas), discursos vazios e previsões que ofendem a inteligência e a sensibilidade dos legítimos esmeraldinos zanzam acintosos, aqui e acolá, na tentativa de camuflarem verdades.

Choro por ti, meu Goiás, pela sanha e sadismo de teus algozes, pelos desatinos que te desfiguram o futuro, pelas incertezas que te esgarçam as asas e te abortam os sonhos. Agonizas sem dignidade, sem altivez, sem reação. Infelizmente, és cria deste tempo sombrio, carente de esperanças e de tramontana e repleto de poderio desenfreado.

Choro por ti, VERDÃO, pela pasmaceira que envolveu tua jornada na Série B, série que, sequer, é tua. Choro pela iminência do abismo, pelo fracasso que quase já dobra a esquina. Todavia, garanto-te: aos que foram alijados de tua casa, sobrou indignação. Por certo, pensam os adeptos da filosofia dos tiranos: banidos, eles não poderão combater o autoritarismo. Estão enganados. Injuriados, sim. Acovardados, nunca! Alertas, sempre! É essa a posição dos que te amam e querem recuperar tua dignidade e teu prestígio.

Para mim, repito, futebol é arte, é poesia tecida com os pés e burilada com a cabeça, com as mãos, com o peito. Futebol é estado de emoção, de comoção, de paixão. É o encanto do drible, a fascinação do passe, a trajetória da bola rumo ao Olimpo: o gol. É a dor angustiada do goleiro em seu instante ápice de solidão (Harlei e Rogério Ceni, referências na categoria, bem o sabem). Futebol é a alma, feito pássaro, a planar numa tarde dourada, numa noite azul, ou a cobrejar pelo gramado em forma de bola. Futebol é conjunção de amor e dor. É cultuar um time e sofrer por ele. É rito de glórias e de derrocadas. Que o diga meu Goiás Esporte Clube, o VERDÃO da Serra, desgraçadamente, à beira do despenhadeiro!

Um comentário:

  1. Leda. verdíssima!

    Ótima peça, excelente panfleto, grito de guerra e de advertência! Esses pinheiros já sugaram tudo do solo alvi-verde do seu time, criaram nomeada em torno de seu sobrenome, valeram-se da paixão dos torcedores e projetaram-se socialmente. Mas não tiveram o prazer de erguer uma taça dentre as inúmeras que o clube amealhou em seu passado de até bem pouco tempo. Náo tiveram escrúpulos ao emporcalhar nomes de dirigentes que não lhes disseram amém.

    Parabéns pelo texto, pelo conhecimento de causa e pela coragem de falar pela maioria de anônimos que, pelas ruas e bares, pelas arquibancadas e salas de tevê gritam o nome do time em busca das glórias.

    Luiz de Aquino

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